A Dor Emocional: Quebrando o Estigma – A Depressão

Queridos cúmplices, disse-vos na primeira publicação do nosso Blog que iríamos reflectir juntos sobre temas que já vivenciámos, ou que estamos a viver e que também juntos iríamos partilhar as nossas impressões. Acho que é através da partilha que quebramos o estigma da solidão, nos identificamos com o outro e entendemos que não estamos sozinhos nesta jornada. Se crermos que quando Jesus encarnou em forma de homem, (a fim de anular a separação/o abismo que existia entre o homem e Deus causado pelo seu pecado), não nos podemos esquecer que assim como nós, Ele também experimentou sentimentos negativos como: tristeza, ansiedade, angústia, medo, desânimo, desilusão, solidão, abandono, rejeição… porque Ele era 100% homem e 100% divino! Contudo apesar de carregar toda esta bagagem emocional humana, Jesus cumpriu com excelência a missão de resgatar-nos de todas as consequências do nosso pecado: o sofrimento, homicídios, violência, contendas, guerras, doenças, traumas, feridas na alma e a nossa total perda de identidade. Se confiarmos Nele, aceitarmos o Seu amor incondicional e Lhe permitirmos intervir, Jesus iniciará em nós o processo da restauração da nossa identidade, através da cura interior. Porque é que falo em cura interior? Porque é a ausência de cura interior que nos faz mergulhar no mar profundo da Depressão.

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Até há uns anos atrás, Depressão era um assunto tabu! Preconceituosamente catalogávamos de loucos e desequilibrados todos aqueles que procuravam a ajuda de um psicólogo, ou de um psiquiatra e que precisavam de tomar medicação para de certa forma se reestruturarem emocionalmente e tentarem viver uma vida digamos “normal”! Esta nossa visão preconceituosa criou outro estigma: o da Depressão! Sem nos apercebermos estamos a marginalizar e envergonhar todos aqueles que vivem estados depressivos. O mais inacreditável é que um considerável número de igrejas/ou comunidades cristãs, que pregam o amor ao próximo, a compaixão, a aceitação das diferenças, a união, a fraternidade e a esperança, infelizmente rejeitam estas pessoas (que podem ser cada um de nós) e também pregam um discurso fundamentalista e cheio de condenação! Chegam ao ponto de afirmar se um crente sofre de depressão é porque se afastou de Deus, ou então não é um verdadeiro cristão! É precisamente esta nossa tendência de criar ideias pré-concebidas sobre aquilo que desconhecemos, que nos transforma em pessoas radicais, intolerantes, agressivas e vazias de amor e compaixão pela dor do outro! É esta atitude que Jesus tomaria, se estivesse no nosso lugar?! Absolutamente que não! Depressão é sofrimento, é dor! Não é uma tentativa imatura de chamar a atenção, de ter pena de si próprio, de ser cobarde, ou ser fraco…. Depressão é um pedido de socorro, de ajuda! O que é feito da nossa capacidade de nos compadecermos com a desgraça do outro? Será que o nosso egoísmo nos tornou cegos?

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Vivemos num mundo e numa sociedade em que temos que lutar arduamente para conquistar qualquer coisa. Nada nos é dado de mão beijada. A crise de valores que se vive no mundo inteiro tem gerado situações de insegurança, ameaça, perigo, injustiça, choque, contradição e violência, o que inevitavelmente nos faz viver uma vida no limite. Todo este contexto sombrio traz consigo uma carga pesada de ansiedade, stress, ataques de pânico, de ansiedade e um medo aterrorizador!

Situações como a perda de um ente querido podem levar-nos a um estado de depressão? Garanto-vos que sim! Há quase sete anos passei por este drama (a morte da minha mãe princesa: a doce, graciosa, distinta, amorosa, fervorosa e guerreira Maria Helena) e depois de 3 meses da sua morte, caí num poço de depressão! Tinha perdido um dos pilares da minha vida. O chão fugira-me debaixo dos pés. Claro que as orações dos meus parceiros de ministério, as sessões de aconselhamento e do entendimento da graça e soberania de Deus, a ministração de cura interior e o derramar da unção das doces consolações do Espírito Santo me ajudaram a sair deste estado depressivo. Foi fácil? Claro que não! Não há um dia sequer que não sinta a ausência dela, a falta dela, uma dolorosa saudade dela!

Imaginem o que sentirá um marido que perde a esposa? Uma mãe que perde prematuramente um filho? E quando injusta e sadicamente alguém resolve denegrir o nosso carácter e a nossa reputação com falsas calúnias, arruinando a nossa carreira profissional, o nosso ministério, os nossos projectos e o nosso círculo de amigos? E quando somos despedidos sem justa causa? E quando sofremos bulling na escola/ na faculdade/ ou no trabalho? E quando somos vítimas dos mais diversos tipos de abusos, de descriminação e de traumas sofridos na infância? E quando passámos por um divórcio, ou um aborto, ou um adultério, ou violência doméstica? E quando enfrentamos o diagnóstico de uma doença crónica, prolongada, ou terminal? E quando somos escravos de vícios como droga, sedativos, álcool, sexo, pornografia, tabaco…? Haverá terra mais fértil e propícia para fazer brotar o que chamam o estigma do século 21: a Depressão?! Não nos esqueçamos que ela abrange quase todas as faixas etárias! É fundamental que comecemos a desmistificar, a descodificar e a quebrar o Estigma da Depressão, pois nada mais é do que a disfuncionalidade do mundo real!

Depression

Seria extremamente enriquecedor e encorajador que tivéssemos a coragem de participar no espaço de partilha que se segue. Podem usar pseudónimos se assim o preferirem, a fim de resguardarem a vossa privacidade. Penso que é essencial que passemos por este processo juntos, pois certamente que já vivemos umas das situações que foram referidas anteriormente, ou temos amigos, familiares e irmãos em Cristo que estão a enfrentar este drama. O vosso contributo certamente nos ajudará a abordar este tema com uma maior profundidade, clareza e veracidade!

Aceitam o desafio?

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One Comment Add yours

  1. Isabel T. says:

    Espero não abusar da capacidade de auto-análise de F. Pessoa, usando o rótulo que o próprio usou em si, maníaco-depressivo. Porém, a razão deste seu estado vai além do funcionamento da sociedade e dos seus desequilíbrios, está na incompreensão da passagem por este mundo.
    Pessoa nunca entendeu por que razão foi posto aqui com conhecimento do seu destino final e a não obtenção de respostas aceitáveis para a sua inquietação existencial, canalizou-a para a escrita, a única forma, segundo ele, de evitar o manicómio.
    Pessoalmente, conheci a depressão quando o médico me anunciou a almejada alta e reagi a chorar, obrigando-o a levar-me para um gabinete para um breve diagnóstico concluindo que estava a fazer uma depressão pós-parto. Parece ridículo, mas uma estadia no hospital onde cada equipa é composta por diferentes pessoas com diferentes abordagens, acaba por causar stress.
    A cura foi muito rápida. Quando cheguei a casa e vi o caos instalado desde a entrada até ao quarto, passei das lágrimas ao riso…

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